A experiência de um furacão nas férias

Vou contar aqui o meu relato sobre o que foi esperar o furacão Irma nas minhas férias pela Flórida.

Fui para passar 4 dias em Miami e o restante em Orlando, exatamente a rota do furacão Irma.

No nosso terceiro dia em Miami, um motorista do Uber perguntou se estávamos sabendo do furacão. Porque quando a gente viaja, o que a gente menos vê é notícia, e sério, era o que eu menos esperava e nunca imaginaria. Eu achava mais provável acontecer um atentado do que um furacão (que horror). Então foi aí que descobrimos que o furacão viria no sábado, e era segunda-feira. Já começamos a pesquisar e descobrimos que era só o maior furacão que chegaria na Flórida, categoria 5, FUDEU!!!

E aí começou a minha agonia. No nosso check-out do hotel de Miami, os funcionários falaram: “Se preparem para o furacão, cuidado, fiquem salvos”. Já fiquei TENSA. Até hotel em Atlanta eu procurei.. e quase não tinha mais hotel. Sabe quando aparece que o Hotel acabou de ser reservado a poucos minutos? Pois é, estava assim em todos.

Mas beleza né? Estávamos indo pra Orlando mesmo, o furacão vai chegar lá bem mais fraco, tranquilo (cabeça de brasileiro que nunca passou por isso). E pegamos a estrada para Orlando.

Chegando no Hotel em Orlando, a primeira coisa que perguntamos​ foi se o Hotel era preparado para esse tipo de coisa e o funcionário riu. Tipo: somos só o hotel mais bem preparado de Orlando (sorte a nossa). Aí pronto né, uhuuuull fiquei tranquilona, segue a programação. Isso era na terça-feira.

Ainda na terça, como não poderia faltar, fomos ao Walmart. Chegando lá…. não tinha mais água, não tinha mais comida enlatada, não tinha lanterna, não tinha power bank, não tinha mais PORRA NENHUMA pra sobreviver a um furacão. Se coloque no meu lugar e imagina isso. O mercado com filas enormes às 2 da manhã. É ou não é de desesperar?  Aí o que a gente foi fazer? Abastecer a porra do carro antes de acabar a gasolina toda e procurar água para sobreviver. Porque do jeito que tava parecia que o mundo ia acabar no dia seguinte. Chegando no hotel tive um pequeno ataque de pânico, pois estava imaginando as seguintes cenas:

Era isso que eu conhecia de furacões

Pois bem, é natureza, não tem como prever. Eles fazem algumas previsões de rota mas nunca se sabe ao certo para onde ele vai. Ele pode mudar de uma hora pra outra. Depois que começamos a ver as notícias na TV e a escutar as pessoas falando, começamos a entender melhor sobre os furacões. Então o meu medo diminuiu um pouco. Estávamos em um Hotel excelente, o problema maior (E QUE PROBLEMA) era o olho do furacão passar onde estávamos, e então a solução era rezar. E se a gente pegar o carro e sair, e o furacão mudar de rota? E se a gente ficar e ele vir pra cá? E se a gente for pra outro lugar, ele for pra lá e a gente não ter onde ficar? A minha maior preocupação era ficar viva. As férias? Já nem pensava mais nelas. Possibilidades são comigo mesmo, e eu penso em todas. Resolvemos ficar e vem a notícia que o furacão desviou de Miami e estava indo pra Orlando. SÉRIO ISSO, SÉRIO MESMO?

Mas o pior ainda estava por vir. Na madrugada de quinta para sexta, às 5 da manhã, o meu celular toca o alarme. ALERTA DE FURACÃO CHEGANDO NA FLÓRIDA. PUTA QUE ME PARIU!!!! Como eu estava com o chip de lá, eu estava recebendo todos os alertas que os moradores também recebiam. Ou seja, me caguei. Pensei que teria que sair correndo desesperadamente. Mas graças a Deus era só o alerta informando que o furacão estava entrando no estado da Flórida.

A imagem do desespero

Como resolvemos ficar, seguimos a programação da viagem até sexta-feira. Parques vazios, sem filas, uma beleza. Eles já estavam começando a se preparar colocando sacos de areia nas portas das lojinhas do parque, algumas lojas fecharam mais cedo. Mas MESMO ASSIM as pessoas que estavam lá como nós, pareciam tranquilas, parecia que nada ia acontecer, e as pessoas da cidade também, nos restaurantes, nas lojas, tudo de boa. Mas, ao mesmo tempo, só se falava nisso. Até sexta-feira.

Na sexta à noite, as lojas da cidade já estavam todas preparadas com tapume nas janelas, sacos de areia nas portas, e muitas delas já estavam fechadas. Os parques também foram fechados, e o local virou uma cidade fantasma. No sábado já não tinha mais o que fazer a não ser ficar no hotel. E no sábado de manhã estava fazendo sol. Aí deu mais medo ainda.

Esqueci de falar que as pessoas na rua orientaram a gente a encher a banheira caso faltasse água, a comprar um balde e uma lanterna. Eu não fazia ideia, mas as primeiras coisas que acabam (ou são cortadas) são água e luz.

Agora eu PRECISO falar do hotel. Já é a segunda vez em que fico nele e digo, vale todo o investimento num bom hotel, porque sério, é tenso. É o Universal’s Cabana Bay Beach Resort, hotel da Universal Studios. Ele tem uma estrutura gigante, com uma praça de alimentação e o mais importante, AS PORTAS NÃO SÃO VIRADAS PARA FORA. Isso me deu um alívio imenso. A maioria dos hotéis de Orlando tem a porta virada pra rua, e isso é normal lá. Mas no furacão isso vira um agravante. Eles garantiram que não ia faltar água nem luz, e realmente não faltou absolutamente nada. E lá estávamos, com a banheira cheia e um balde no quarto, HAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAH.

Apesar das janelas serem todas de vidro, o vidro é bem grosso e firme.

Na noite de sábado começou a ventania e foi decretado o toque de recolher. Ninguém poderia sair na rua entre 19h de sábado e 18h de domingo. O olho do furacão ia passar longe de onde estávamos, mas mesmo assim ainda estávamos na rota. Nisso o furacão diminuiu de categoria e foi só alegria pra gente, já que estávamos amparados num hotel excelente.

Alguns quartos tem janelas menores, mais seguro ainda. Nesta foto estávamos bebendo e observando o furacão pela janela.
O furacão em vermelho e onde estávamos em rosa

Resumindo a passagem do furacão pra mim: foi uma ventania forte para caraleo, mais vento do que chuva. Eu, meu noivo e nossos amigos ficamos bebendo vinho no quarto e vendo o furacão pela janela. Graças a Deus deu tudo certo pra gente que tava acolhido num lugar super seguro, mas para muitos moradores e turistas que estavam em lugares com infraestrutura menor, foi muito tenso. Escutei alguns relatos no avião de turistas que tiveram que dormir trancados no banheiro.

Muita gente me mandou mensagem perguntando como estava e agora eu falo, eu tava me cagando de medo. Acabou que depois do furacão eu não respondi todo mundo, eu só queria aproveitar o resto de viagem (que, por sinal foi, maravilhosa depois disso tudo). Foi muito bom saber que tanta gente se preocupou comigo e obrigada por isso <3 meus amigos queridos.

Final de tarde pós furacão Irma

Isso parece um relato dramático demais, exagerado demais, mas pra mim, que nunca tinha passado por essa experiência e não estava acostumada com esse tipo de realidade, foi muito tenso. Você só sabe quando passa por isso. Mas tá bom, eu posso ser medrosa demais, tinha gente que não estava nem aí, mas vai de pessoa pra pessoa né?

A natureza é imprevisível, mas algumas lições ficaram pra vida:
1- Toda experiência é válida, mesmo as ruins. Agora posso dizer que sobrevivi a um furacão;
2 – Você percebe que, diante da natureza, você não é nada;
3 – Sempre que for viajar, pesquise sobre o clima no local desde épocas mais propícias a formação de furacões, tempestades, tufões e por aí vai;
4 – Procure um hotel seguro e com uma boa estrutura (claro se você for a lugares que tenham algum tipo de risco). ​

E você, já passou por algum desespero em viagens?